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Icao propõe coordenar voos entre países para reduzir esperas no ar antes do pouso
Agência de aviação civil da ONU quer acelerar a adoção global de um modelo que compartilha dados entre aeroportos e companhias para evitar atrasos.
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A Organização da Aviação Civil Internacional (Icao), agência da ONU, defende a adoção mundial de um modelo de coordenação do tráfego aéreo para reduzir as esperas de aeronaves em voo antes do pouso, segundo informou a ONU News nesta terça-feira (27). A proposta busca diminuir atrasos, custos e emissões de gases de efeito estufa em um cenário de céus mais congestionados.
De acordo com a ONU News, as voltas sobre o aeroporto costumam ser manobras de espera, usadas para manter o avião no ar até que haja vaga para aterrissar. Nem sempre há falha técnica ou mau tempo envolvidos. Um problema em uma região, como tempestade, emergência ou rota fechada, pode gerar atrasos a milhares de quilômetros de distância.
O custo é alto. A Eurocontrol, entidade responsável pela navegação aérea na Europa, calculou que os atrasos na gestão do tráfego no continente passaram de US$ 2,3 bilhões em 2025.
Em entrevista à ONU News, o secretário-geral da Icao, Juan Carlos Salazar, comparou o problema a semáforos que operam sem sincronia, o que gera engarrafamentos. Segundo ele, a solução deve começar antes do pouso: se um aeroporto não pode receber mais aeronaves em certo período, ele combina com outros terminais o adiamento de decolagens, em vez de manter aviões voando em círculos.
A prática é chamada de gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo e permite que companhias, aeroportos, controladores e serviços meteorológicos dividam informações e decidam em conjunto. Vários países já a utilizam, mas o ganho é restrito quando os sistemas nacionais não se comunicam. Após cinco dias de negociações em Montreal, promovidas pela Icao, governos e representantes da indústria manifestaram apoio a uma implantação global mais rápida.
Para os passageiros, a expectativa é de avisos antecipados sobre atrasos e cancelamentos e de recuperação mais ágil após imprevistos. Salazar criticou a situação atual, em que, segundo ele, as pessoas passam o dia no aeroporto sem receber informações.
A ONU News apresentou dados de resultados já medidos. Nas Américas, testes colaborativos apoiados pela Icao pouparam mais de 265 mil minutos de voo e US$ 38,9 milhões em 2026, além de cerca de 13.330 toneladas de combustível e 42.160 toneladas de dióxido de carbono. Na Europa, um programa da Eurocontrol que antecipa clima e congestionamentos evitou cerca de 3,1 milhões de minutos de atraso entre maio e agosto de 2026, com economia aproximada de US$ 448 milhões e rede 14% mais estável nos piores dias.
Salazar afirmou que Brasil e Colômbia operam sistemas desse tipo há anos, principalmente em escala nacional, o que deixa de fora voos internacionais. Ele disse que a troca de dados em tempo real muitas vezes falha por falta de vontade ou de meios. Citou ainda que um voo da Europa para a Austrália ou a Nova Zelândia cruza quatro ou cinco regiões, e que conflitos armados obrigam desvios de rota e criam novos gargalos. Para ele, o objetivo é “um sistema de transporte aéreo que alcance todas as pessoas do mundo, para que todos vejam os benefícios de estarem conectados”.
A Icao reúne 193 Estados-membros, define normas comuns e presta assistência técnica aos países. A agência prevê que novas regras internacionais sobre gestão de fluxos sejam concluídas em novembro de 2030, com oficinas regionais em 2027. Ela estima que a aviação poderá transportar 12,4 bilhões de passageiros até 2050.